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Você.

    Quando escrever se tornou difícil? Quando o fluir das palavras se tornou pesado? Quando as palavras ganharam esse peso? Eu simplesmente não consigo lembrar. Não consigo absorver. Não consigo entender o significado delas. Elas perderam as cores e mudaram de propósito. Eu perdi a motivação. Eu perdi a cor. Eu mergulhei num abismo onde viver significa simplesmente respirar. 
    E foi então que eu percebi que as palavras, elas são muito mais de que conjunto de letras, elas são o que nos aproximam. Mas muitas vezes a minha garganta se fecha. Muitas vezes os meus pulsos não se movimentam. Eu me torno mudo, surdo e cego. Eu me torno um total hiato. Eu sou o hiato. Eu sou o abismo entre a criatividade e a realidade. Eu habito onde não há nada. E é então que você aparece. Você conseguiu trazer vida onde não havia absolutamente nada. Você simplesmente disse “haja luz” e ouve luz. De você veio o meu sopro de vida. Você. Você. Você. 
    Nós, seres humanos, lutamos pela nossa independência, quando depender é muito mais fácil, quando depender significa ser cuidado. Quando depender significa ter a certeza de que nada irá me afetar. E por muito tempo, eu associei a minha infelicidade a minha tristeza e a minha dor á você, afinal de contas, você está com os controles nas mãos, mas a verdade é que a sua falta, a sua falta, ela me mata aos poucos. Eu quero depender. Eu quero confiar. Eu quero não questionar. Eu não preciso ter a resposta de todas as perguntas do mundo. Com você, o silêncio significa conforto.

Youth.

   
Correndo atrás do desconhecido. Perseguindo visões de um futuro melhor. Vivendo á base de esperanças e se alimentando de sonhos destruídos. Nós fugimos do inevitável enquanto tentamos sorrir diante á guerra em nossas mentes. Fingimos nos importar. Fingimos que a vida é divertida, mas ao mesmo tempo nos divertindo com pouco.
    É assim que somos, rimos, suspiramos, choramos com a mesma cena do mesmo filme. Discutimos sobre política e sociedade, muito embora a própria sociedade espere pouco de nós. Nós não somos complicados. Não somos difíceis, somente queremos mais. Mais do que as pessoas esperam de nós. Nós não concordamos com a ideia de que a vida foi feita para um dia morrermos. 
    Nós não aceitamos felicidade passageira ou barata. Nós não procuramos felicidade e satisfação no fundo de uma garrafa, em pílulas ou cigarros, mas procuramos em livros uma explicação lógica para o amor. Engolimos o nosso orgulho (o orgulho não leva á nada) e disfarçamos o nosso medo. Sim, o medo do futuro, do que será de nós e acima de tudo, se existirá um final feliz. Nós somos o reflexo das crianças assustadas. A verdadeira e derradeira visão de juventude.

Músicas que me inspiram #2 - Every Teardrop is Waterfall

    Sim, eu sei que eu nunca mais postei nessa coluna, mas simplesmente pelo fato de que eu não tinha encontrado mais nenhuma música que me desse essa inspiração. Pra você que ainda não está ligado no Músicas que me Inspiram, é o seguinte: em todos os meus textos, eu coloco uma música pra acompanhar, mas tem algumas MÚSICAS que eu simplesmente transformo em um texto. Foi assim com a música Rabbit Heart do Florence & The Machine (CLIQUE AQUI) e também foi assim com a música do COLDPLAY - EVERY TEARDROP IS WATERFALL que é uma das minhas músicas favoritas de TODOS OS TEMPOS. Dá uma conferida ai.

Nunca Me Deixe Ir



    Fecho os meus olhos á doce brisa de verão. O fraco sol da tarde queima os meus olhos e faz com que tudo á minha volta tome aquela coloração alaranjada, quase como uma daquelas antigas fotografias.
    Uma música. É exatamente o que eu preciso. Os doces acordes, a calma melodia, as simples notas e de repente eu já estou lá. As imagens, fuscadas em minha mente, essas sim tomam aquele tom alaranjado.
    A forte luz do sol, que adentra pela janela, que atravessa as cortinas brancas, me impedem de ver o seu rosto, mas mesmo estando perdido em minha mente, eu consigo ver o seu sorriso que radia tanto e ilumina tanto o quarto como a luz do sol.
    A brisa de verão adentra as janelas, as cortinas brancas e todo o quarto vazio, as paredes de madeira, tudo é tomado pelo cheiro de grama queimada e canela.
    Tento fixar os meus olhos em seus olhos, mas tudo o que eu consigo ver são dois pontinhos brilhantes por detrais da forte luz do sol. Mais uma vez eu olho para os seus lábios que agora murmuram algo como "Nunca me deixe ir". E antes que eu consiga tocá-la, a visão desaparece, eu entro em conflito e abro os olhos. Mais uma vez eu estou sozinho, e a única coisa que me restou foi a melodia ecoando pelo quarto vazio.
   Ewerton C. Morais


  (P.S: ANTES DE IR QUERO AGRADECER Á TODOS QUE VIRAM O VÍDEO, VOCÊS ME DÃO UM QUENTINHO NO CORAÇÃO <3. É ISSO AI, EU SEI QUE O TEXTO NÃO FICOU MUITO BOM, MAS EU FIZ ELE ONTEM E QUIS MOSTRAR. ATÉ MAIS).

Amor

    Ele contou os trocados e os pôs de volta ao bolso. O hálito elevava-se como vapor. O frio congelava os seus ossos. Ele pôs os dedos no bolso e lambeu os lábios roxos de tanto frio. As luzes do subsolo piscavam. Lá estava ele. Vazio. Anos se passaram, agora ele era um homem, mas sempre estava assim: vazio.
   O metrô parou. As portas se abriram. Ele entrou á multidão. Os corpos encurralados. O cheiro das pessoas. Fediam á desespero. Ele sentou-se. As pessoas - assim como ele - pareciam vazias. O rosto não carregava emoção alguma á não ser o vazio. Ele aquece as mãos com o hálito. Gostava de observar as pessoas. Gostava de estudá-las. Cada uma com a sua vida, compartilhando os mesmos desesperos de estarem vivos.
    E enquanto as observava. Ele a viu. Usava uma touca. Pele pálida. Lábios rosados. Contava os trocados nas mãos. Ela soprou o ar por dentre os dentes, certamente o dinheiro não era o suficiente. Ela elevou o rosto. Os olhares se cruzaram.
    Os seus olhos eram castanhos. Assim que percebeu que ele olhava para ela, abaixou o rosto e pôs o cabelo atrás da orelha. Ele continuou á olhar para ela. Algo nela o atraia. Talvez fosse o fato dela não ser artificial como as outras. Ela era diferente, e ele via isso em seus olhos.
    Ela, aos poucos, elevou o rosto e olhou para ele. Arriscou um sorriso e abaixou a cabeça. Ela parecia única. E de modo algum ele conseguia decodificar o que estava a sua mente. O metrô parou. As pessoas se levantaram. Mais uma vez eles se entreolharam. E um instante antes dela ser engolida pela multidão, um minuto antes dela sumir definitivamente de sua vida, ele imaginou todas as possíveis cenas e os possíveis dias. Ela foi embora. Engolida pela multidão. Ele saiu do metrô, sabia que seria impossível encontrá-la. Sabia que passaria o resto de sua vida revendo aqueles minutos. E pensando bem, ele viu que aquela fora a primeira vez em muitos anos, que ele sentiu o mais próximo do que pode se chamar de amor.

  Ewerton C. Morais.

O Caminho

   
Minhas mãos estão frias, muito embora estejam protegidas pelas luvas. Mas são são somente as minhas mãos, mas todo o meu corpo está congelando.
    Á minha frente, enxergo a típica paisagem de outono: A manhã nublada. As árvores secas que agora servem de abrigo para as gralhas que me observam fixamente. E eu particularmente não sei mais o que vou fazer.
    Mantenho os meus olhos fixos ao único caminho á minha frente e me pergunto se esse será o caminho que me levará novamente para casa. Estou perdido á tanto tempo que nem sei mais se um dia voltarei para casa, ou pelo menos voltarei á ser o que um dia eu fui.
    Por um instante minha mente entra em conflito. Não sei se seguir em frente seja a melhor escolha, de mesmo modo se não sei se um dia eu chegarei ao seu fim.
    Porém, tudo o que eu tinha certeza era que se eu não seguisse em frente, eu nunca saberia o quele caminho me reservava. Talvez seja a minha salvação ou a minha maldição. Mas no estado em que eu me encontro, eu simplesmente não tenho escolha.
    Avanço passo á passo, ouvindo o som das folhas se rompendo debaixo de minhas galochas. A minha respiração provoca uma fumaça de vapor ao sair de minhas narinas. Se eu estou com medo? Claro que eu estou com medo, mas não, não há tempo para isso.

  Ewerton C. Morais.

Chuva

   
Encolho-me lentamente para dentro dos lençóis, deixando o livro repousando ao pequeno criado-mudo ao lado da minha cama.
    Lá fora, a chuva molha as enormes árvores que se curvam com a força dos ventos. Esse mesmo vento adentra o quarto através da da janela, escancarada, deixando que o vento frio refresque o meu rosto.
    Eu adoro isso. Adoro sentir o vento frio em meu rosto. Adoro sentir o cheiro de terra molhada, que me traz á mente, todas as lembranças nostálgicas de dias semelhante á esse.
    E ele, ele chega lentamente, patinha por patinha, desliza sobre minha cama. O gato de pelo acinzentado, cheira o meu rosto e deita-se ao meu lado, aquecendo o meu corpo e deleitando os meus ouvidos com os seus ronronados.
    Á copo de chocolate quente, que já está frio, que também descansa ao criado-mudo, ao lado do livro. Mas eu sei que hoje eu não irei precisar deles.
    Aos poucos, vou adormecendo. Adormeço enquanto o vento frio refresca o meu rosto. Adormeço debaixo das cobertas que aquecem os meus ossos. Adormeço ao repousante som da chuva. 

Abrindo os Olhos

   
 É como se eu estivesse acordando novamente. Acordando de um sono profundo. É quase como se eu revivesse. Poderia até mesmo sentir o seu cheiro, ou quem sabe o toque de sua mão sobre a minha mão. É quase como eu revivesse aquela cena...
    A terra debaixo dos meus pés está molhada. Á minha frente, o sol nasce, mas o calor da manhã tão pouco esquenta. Estou debaixo daquela mesma árvore, aquela em que eu prometi que te amaria para sempre. E novamente, a névoa toma conta de meu corpo.
    As lágrimas chegam aos meus olhos e minha boca se enche de palavras que nunca terei coragem de dizer. Palavras que morreram em minha mente e em minha garganta.
    O orvalho cobre o velho banco em que costumávamos sentar e senti-lo é o mais perto que eu tenho de tê-la em meus braços novamente.
     E de certa forma ou de outra é como reviver os nossos momentos. Todas as palavras. Todas as juras... Todas desapareceram do mesmo modo que seu espectro; do mesmo modo como o orvalho vai cedendo ao calor do sol.

  Ewerton C. Morais.

A Noite Mágica

   
As luzes do carrossel brilhavam e lá vinha ela.
    A melodia doce do saxofone flutuava sob o céu estrelado e ecoava aos ouvidos das pessoas que ali estavam. Elas fixavam os olhos na figura daquele homem com o saxofone, e abriam os ouvidos para a triste melodia.
    O som era repousante. As crianças giravam e giravam enquanto fixavam os olhos na noite cintilante. A lua pálida e as estrelas iluminavam o céu que não tinha uma nuvem sequer.
    O vento contorcia-se á nuca do saxofonista que despejava sua música ao som das vozes das crianças que corriam de lá para cá segurando os seus algodões-doces. As garotas com laços no cabelo e vestidos de bolinhas. Os garotos, de chapéus e suspensórios.
    A noite parecia mágica. As luzes vermelhas do carrossel entravam em total contraste com a melodia. A brisa trazia á pelo o arrepio. E aquelas crianças... elas pensaram que seriam felizes para sempre.

  Ewerton C. Morais.
 

Exploração

   
Visto a minha capa e as minhas galochas igualmente amarelas. Está chovendo. Mas a chuva nunca me impediu de ir á algum lugar. Na verdade, há algo na paisagem fria e morta do inverno que me deixa mais feliz.
    Caminho sobre a lama, enquanto a chuva molha a paisagem verde-escura do campo. É manhã bem cedo. Está frio. Mas perfeito para uma caminhada (nada que as minhas galochas não resolvam). Desvio das arvores e cantarolo ao som dos pássaros. Pulo nas poças e termino de molhar o que ainda estava seco em mim.
    Cruzo o pasto enquanto as minhas pernas só imploravam por descanso. Subo a colina verde escura e me deparo com o velho balanço, e todas as incríveis lembranças que nunca mais voltarão. Lembranças gravadas em meu coração. 
    Subo e embarco. Balanço para frente e para trás. E á cada vez que eu empurro á mim mesmo para cima, sinto-me mais perto do céu. Sinto como se estivesse voando.
         Ewerton C. Morais.

Palavras


Fixo os olhos na paisagem verde escura, onde as colinas se encontram, onde a neblina se espalha. Seguro firmemente o meu caderninho . Que além de conter os meu pensamentos mais íntimos, é o objeto que me desliga do mundo, o meu refugio.
  Aos poucos, as palavras vão aparecendo ao papel. Tão lindas e serenas. Dançam ás linhas em curvas sensuais. Meu refugio são as palavras. Cada uma com seu significado. Todas importantes.
   Enquanto o vento refrigera a minha pele, que se arrepia com a mais fraca das brisas, vou sentindo aos poucos, a sensação de conforto. O mundo. Os problemas. Todos eles vão desaparecendo da minha mente á medida em que o papel é tomado pelas palavras.
   As palavras se transformam em textos. Mas vai muito além disso. Nelas estão a minha alma, mente e coração. Minha fortaleza impenetral.
   Sim. O vento. A paisagem. Os pássaros que cantam e brindam á liberdade. Todos se juntam ás palavras, e se concretizam em textos, páginas, capítulos Livros. 
    Ewerton C. Morais

O Poço

   
Caminho silenciosamente sobre a grama verde escura. O caminho é longo, rodeado de árvores, de um lado á outro. O céu está nublado, e o vento frio traz á minha pele o arrepio. Mas é bom. É bom sentir frio. O frio faz com que eu me sinta vivo.
     Caminho de pés descalços. Com a grama espinhando os meus calcanhares. Sorrio assim que vejo o meu destino. O velho poço de pedra e a sua incrível reserva de lembranças nostálgicas. Abro a velha tamba de madeira e fixo os meus olhos no escuro absoluto.
   "Oi" eu digo.
   "Oi" ele me responde.
   "Eu vou bem!"
   "Eu vou bem!"
    Paro por um bom tempo. E eu somente posso dizer que o sorriso em meus lábios é inevitável.  
    "Eu gosto de você"
    "Eu gosto de você".

Ewerton C. Morais.


PS: Obrigado pelos comentários do último texto.

Á CAMINHO DO SOL

 

 As luzes que brilham ao fundo da estrada, se aproximam na velocidade do som e se chocam ao vento. O mesmo vento frio, que me faz querer viver para sempre. O mesmo vento frio que faz com que eu me sinta flutuando.
   Meu coração bate mais forte á medida que as luzes se aproximam. A estrada, tão fria e úmida parece não ter fim. Uma imensidão de asfalto. De longe eu tenho a certeza de que o caminho não é mais importante - o destino pertence á Deus - porém o mais importante é a viagem. Ah Sim! Não há prazer maior de que por o pé na estrada, e se deixar levar pelas curvas longas e sem fim.
   Sinto o meu coração palpitar quando eu vejo os primeiros raios de sol iluminar o céu escuro. Tranquilo. Sereno. E que de longe, ilumina a névoa fria e úmida que acende o verde escuro.
   O sol da manhã tão pouco esquenta, mas já é mais do que o suficiente para quebrar o gelo. Sinto o vento assobiar em meus ouvidos e se contorcer em minha nuca. Cruzo as colinas num vale de asfalto e sigo em frente, á caminho do sol.    

 Por: Ewerton Morais.

Texto: Chá com Torradas

 
Há um bom tempo eu dedico o meu tempo livre á escrever. Já escrevi diversos livros, que mantenho em segredo até que eu ache o momento certo para mostrá-los á todos. Porém... nesses dias eu tenho me dedicados á pequenos textos, á crônicas, sobre o dia-a-dia e coisas que acontecem conosco. Então, decidi por um desses textos aqui no blog. Então, peço á todos que por favor leiam, e deixem as suas sinceras opiniões sobre o que acharam. Desde já eu agradeço.

CHÁ COM TORRADAS
     Paro na calçada e olho de um lado á outro. Não há nenhum carro, mas mesmo assim eu espero pacientemente até o sinal verde finalmente abir.
     A fina chuva que cai sobre a cidade já é mais do que o suficiente para me fazer abrir o guarda-chuva. Ando cruzando o meu olhar com as pessoas que andam pelas ruas. Aquelas com celulares aos ouvidos. As crianças de mãos dadas com as mãos, e os casais abraçados um ao outro
    Para em um pequeno café, aonde peço uma xícara de chá com torradas. A garçonete (uma mulher de trinta anos, com um olhar triste e desanimador) logo trás o meu pedido.
    Tomo o primeiro gole de chá e vejo do outro lado do pequeno estabelecimento, uma garota. De longos cabelos, enrolada por um cachecol, e com uma boina vermelha á cabeça. Ás mãos carregava o livro "O Lado Bom da vida" e aos ouvidos, estavam seus fones que tomavam toda a sua orelha. Perco-me olhando para ela. E um momento antes dela sumir completamente de minha vida, eu me pergunto, se por acaso, ela um dia... gostaria de tomar um chá com torradas comigo...

Por: Ewerton Morais.